O Encontre Seu Pai Aqui é um programa do Ministério Público do Estado de São Paulo, em parceria com o Instituto Medicina Social e de Criminologia de São Paulo, o Imesc. Ele permite que qualquer pessoa solicite o reconhecimento de paternidade ou maternidade de forma extrajudicial e gratuita, sem precisar entrar com uma ação na Justiça.
Apesar da relevância do programa, a solicitação não contava com uma experiência digital estruturada. O serviço estava descrito em uma carta de serviço no portal do Poupatempo, mas o cidadão não tinha um caminho claro para iniciar o pedido, enviar documentos e acompanhar o andamento pela internet.
A Prodesp, empresa de tecnologia do Governo do Estado de São Paulo responsável pelo Poupatempo, me trouxe o desafio de reestruturar esse serviço. O objetivo definido pelo Ministério Público era direto. O usuário deveria ter uma experiência mais agradável na solicitação do reconhecimento.
O briefing trazia quatro diretrizes. O usuário deveria poder solicitar o reconhecimento e acompanhar a solicitação. O mesmo serviço deveria atender também ao reconhecimento de maternidade. A obrigatoriedade dos campos deveria variar conforme o perfil de quem solicita. E o número de celular seria sempre obrigatório, para o contato do Ministério Público com o cidadão.
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O programa atende majoritariamente famílias de baixa renda, muitas vezes pessoas com pouca familiaridade com serviços digitais e menor formação.
Linguagem técnica, formulários extensos ou qualquer fricção desnecessária significaria um pedido abandonado, e abandonar o pedido aqui é adiar um direito.
O serviço precisava ser simples, objetivo e de fácil acesso, sem exigir que ninguém domine termos jurídicos para reconhecer o próprio pai ou a própria mãe.
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Mesmo com sete dias, o projeto não começou no Figma.
Começou entendendo quem é a pessoa que precisa desse serviço e o que já existe de bom em sistemas digitais que ela conhece. A IA entrou como aceleradora do processo, com o ChatGPT no apoio ao raciocínio lógico da estrutura e o Leonardo.ai na produção de imagens, o que permitiu dedicar a maior parte do prazo às decisões de experiência.
A espinha dorsal da solução é uma sequência que reduz o esforço do usuário a uma decisão por vez. Ele conhece o programa, diz quem é e preenche apenas o que importa para o seu caso.
Todo o encadeamento foi documentado em um fluxo de navegação, do portal ao login gov.br e da seleção do perfil aos formulários de cada uma das seis combinações, que serviu tanto para explicar o raciocínio quanto para guiar a construção do protótipo.
A jornada começa em um portal próprio, com layout personalizado dentro da identidade do Governo de São Paulo.
A página inicial explica em linguagem simples o que é o programa, seus benefícios e quem pode solicitar, com o botão Iniciar Solicitação sempre visível. O acesso acontece pelo portal do programa ou pelo portal do Poupatempo, com login unificado via gov.br.


A solicitação usa três formulários base, o do requerente, o do requerido e o do responsável.
O perfil selecionado define quais deles aparecem e quais campos são obrigatórios. Quem é tutor legal preenche os dados de responsável; quem é filho adulto, não.
O usuário nunca encontra um campo que não diz respeito ao seu caso, e o número de celular é obrigatório em todos os perfis, garantindo o canal de contato do Ministério Público.
Depois de preencher os dados, o usuário percorre as etapas que fecham o ciclo do serviço.
Cada etapa foi desenhada com feedback em tempo real, mantendo mensagens de sucesso, erro e progresso sempre visíveis.

O envio de RG, certidão de nascimento e demais documentos acontece em uma etapa própria, com a lista exata do que é exigido para o perfil selecionado. Estados de envio, confirmação e erro foram desenhados para cada um dos seis perfis, para que a pessoa sempre saiba o que falta e o que já foi aceito.


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